No aeroporto de Jacarta, mistura entre burkas, tchadoris e cabeças descobertas e maquilhadas, se a burka e o tchadori pretendem tornar as mulheres menos atraentes, o sucesso é pouco.
No aeroporto passa por nós um casal peculiar, ele parece saido de um festival rock, barba, t-shirt, calçoes, pulseira, ao lado uma mulher esguia completamente coberta, com burka fechada e luvas pretas. Os dois seguem a passo rápidissimo, ela esvoaça ao lado dele, magnética, impossivel não olhar, comunica através do movimento a sua energia e é muito, muito sensual. Quero pará-los, e saber como sao, qual é a vida deles, ver a cara dela. Ele segura-lhe a mão para a ajudar a avançar ou está a arrastá-la através do aeroporto? Ela esvoaça ao lado dele com orgulho como me parece ou com medo?
O motorista leva-nos através do transito caótico até um hotel “próximo” do aeroporto, parecem horas no trânsito quase parado. Olho à volta e fico estupefacta, além das inúmeras motas, todos os carros parecem ser do mesmo modelo, são novos, tipo jipes, lustrosos, o número de motas é astronómico.
Chegamos ao hotel e queremos ficar so num quarto para poupar dinheiro, vamos fazer assim toda a viagem, temos medo de chocar, por isso transformo-me em mãe, e a Rita e o António começam por ser os meus filhos, depois serão filho e nora quando nos sentirmos mais confiantes.
Algo no olhar dos homens, um olhar de cima incomoda, peço por gestos um lençol extra aoempregado e responde-me que não, sinto desprezo na atitude dele. È isto ser muçulmano?
No aeroporto passa por nós um casal peculiar, ele parece saido de um festival rock, barba, t-shirt, calçoes, pulseira, ao lado uma mulher esguia completamente coberta, com burka fechada e luvas pretas. Os dois seguem a passo rápidissimo, ela esvoaça ao lado dele, magnética, impossivel não olhar, comunica através do movimento a sua energia e é muito, muito sensual. Quero pará-los, e saber como sao, qual é a vida deles, ver a cara dela. Ele segura-lhe a mão para a ajudar a avançar ou está a arrastá-la através do aeroporto? Ela esvoaça ao lado dele com orgulho como me parece ou com medo?
O motorista leva-nos através do transito caótico até um hotel “próximo” do aeroporto, parecem horas no trânsito quase parado. Olho à volta e fico estupefacta, além das inúmeras motas, todos os carros parecem ser do mesmo modelo, são novos, tipo jipes, lustrosos, o número de motas é astronómico.
Chegamos ao hotel e queremos ficar so num quarto para poupar dinheiro, vamos fazer assim toda a viagem, temos medo de chocar, por isso transformo-me em mãe, e a Rita e o António começam por ser os meus filhos, depois serão filho e nora quando nos sentirmos mais confiantes.
Algo no olhar dos homens, um olhar de cima incomoda, peço por gestos um lençol extra aoempregado e responde-me que não, sinto desprezo na atitude dele. È isto ser muçulmano?
Vou descobrir ao longo da viagem que ser muçulmano pode ser tantas coisas como ser cristão. Isto também. Detesto ser olhada assim.
Ninguém fala inglês, no bar tento pedir papel higienico por gestos... muito fácil exceto hoje, exceto aqui, nao posso de modo nenhum fazer o gesto. Demoro muito tempo mas finalmente ele compreende.
Ao lado do nosso espaço, há um pátio lindo, só mulheres cobertas aí, venho a saber que neste hotel há um espaço separado para muçulmanos, não querem partilhar espaços.
De manhã cedo levanto-me para ir buscar o pequeno almoço, três mulheres no pátio, quando passo, olham em simultâneo no sentido contrário, parece uma dança coreografada, como três garças rodando o pescoço, pressinto que não é bom olhar para mim, estou demasiado descoberta, sinto curiosidade e irritaçao. Quem me dera poder perguntar, descobrir quem são, porque fazem assim. Quando passo no sentido contrário confirmo, é como se eu fosse invisivel. Fico sem saber se é a minha imaginação e o meu medo ou a realidade.
Voltamos para ao aeroporto, através do mesmo transito caótico, desta vez para o terminal nacional, principalmente locais aqui, só mais dois ou três ocidentais na sala de espera.
No aeroporto todas as mulheres com a cabeça coberta, nada de burkas mas muitos tchadoris, em formatos engraçados, acho que lhes ficam bem, realçam os olhos e os sorrisos, a rapariga que despacha as bagagem namorisca o António abertamente, bate as pestantas, inclina a cabeça, olhos enormes, bonita, ao contrário de Kuala Lumpur e do hotel, muito riso aqui, muita brincadeira, sente-se um ambiente alegre. Diferentes formas de ser muçulmano.
À espera do avião um grupo de mulheres, uma menina muito pequena toda coberta, vem de mão dada com uma delas, totalmente coberta mas descalça, saltita feliz... é uma imagem bonita.
No avião as hospedeiras podiam ser modelos, dizem: somos obrigadas pelas normas a explicar-vos os procedimentos de segurança, como se fosse uma obrigação desagradável, no banco da frente um folheto com orações de várias crenças, aparentemente aqui vale mais a pena rezar. Provávelmente verdade.... no mesmo dia em que voamos, um avião da mesma
companhia não consegue parar a tempo em Bali e cai no mar, sem vitimas. Vejo na net mais tarde informações sobre a mesma Lyon Air, aproximadamente um acidente por ano, em sete acidentes só um tem vitimas mortais. Parece que rezar funciona mesmo.



