sábado, 13 de abril de 2013

A Arte de Esperar



Os primeiros dias de viagem têm-me ajudado a aprender uma coisa que me assusta, da qual sei pouco: Esperar.

20 horas de viagem... o pai do António leva-me ao aeroporto, levo a prancha de surf para ele. Não quis que ninguém próximo me levasse, tinha que me manter forte, deixar a ansiedade sossegada, mas temo que não me tenha achado muito normal, meia gaguejante de medo.

Fui ao banco na véspera, a senhora vendeu-me um seguro de viagem, fez questão de me explicar que em caso de morte ou incapacidade permanente ia receber um monte de dinheiro, fiquei muito mais animada, essas são as imagens com que se quer partir de férias e despedir-se do pessoal...

Depois de chegar ao aeroporto, nada a fazer... esperar, contar o tempo a andar para trás, menos uma hora, menos duas horas, estou a aguentar, ainda não entrei em pânico - já vou disse que tenho pânico de voar? :P 

O voo mais longo 11 horas, Amsterdão/Kuala Lumpur. De caminho no monitor nomes que só conheço dos noticiários, Kerala, Khandar... menos uma hora, menos vinte minutos, às vezes "Oh não, ainda só dez minutos". Dormir duas horas, alegria.

Kuala Lumpur meia hora para desentorpecer as pernas, primeiro choque, um país verdadeiramente "estrangeiro", mulheres de cabeça tapada, olhares frios, o ar duro e triste, sobretudo delas, pequeninas e pálidas, rostos fechados. Uma energia tão inesperada que me atingiu como uma bofetada. Não me lembro de ter sido olhada assim há muito tempo.


O resto da viagem foi um salto, um voo de uma hora e meia que há umas horas me teria apavorado, foi uma maravilha, uma hora e meia até ao destino!!!! Oba!! Dormi o tempo todo finalmente... que horas são aqui? que horas são lá? Quanto tempo passou realmente? meio sonho, meio sono, meio transe.

Jacarta, António, Rita, húmidade, calor, burkas. No quarto, acordo as 3 da manhã, hora local, 23 de Portugal, completamente desperta. Não quero acreditar... três horas para acordarmos e apanhar o avião para Lombok. O tempo regressa ao ritmo do avião nocturno, lento, ao menos estou deitada, menos meia hora, uma hora, meio sono, meio sonho, meio transe, aprendo a jogar angry birds e jogo aos zombies até ao enjoo. Uma certa tranquilidade na espera, sem ansiedade. O despertador toca, esperança, o tempo afinal passou depressa, é o antibiotico da Rita, são quatro, duas até à manhã. Já só faltam duas.

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